É NOTÍCIA: Jonhson Macaba vê com bons olhos talentos angolanos. Mas alerta que Brasil pode ser a melhor via para se chegar à europa

Em entrevista exclusiva ao www.bolaemcampo.ao, o ex-internacional angolano, que teve uma curta passagem pelo Girabola, como jogador do Recreativo do Libolo, em 2009, abordou vários assuntos...


Em entrevista exclusiva ao www.bolaemcampo.ao, o ex-internacional angolano, que teve uma curta passagem pelo Girabola, como jogador do Recreativo do Libolo, em 2009, abordou vários assuntos ligados ao futebol angolano, desde a sua nova ocupação como Coaching e não deixou escapar a sua admiração pelo Zine Salvador, que segundo ele só não foi para o Grémio do Brasil porque não houve vontade da direcção do 1º de Agosto.

Jonhson Macaba, agora com 41 anos de idade, continua a residir no Brasil, mas com o coração em Angola. O ex-internacional pelos Palancas Negras lembrou a sua primeira passagem pela selecção AA.

BEC: De jogador para coaching, como foi encarar essa nova tendência?

JM. Eu me tornei Coaching, ou palestrante motivacional, faz exatamente 4 anos, 2 anos antes da pandemia. Fiz dois cursos, dentre os quais o de Coaching. Eu entendi que dentro da minha história de vida eu tinha alguns activos, e alguns gatilhos que eu poderia ajudar outras pessoas a conquistar seus objectivos. Eu vim para o brasil com apenas 8 anos, e tive muitas dificuldades para me tornar jogador, porque aqui no Brasil é muito difícil se tornar jogador de futebol, ainda mais para um estrangeiro. Até eu chegar à 1ª divisão do futebol brasileiro foi muito difícil, até ser visto pelo treinador da selecção angolana, na altura, professor Mário Calado. Aqui no Brasil tive passagem por times grandes. Eu, então, tenho passado a minha história a várias pessoas como chave para vencer na vida. Depois, eu fiz um outro curso de neurolinguística para entender a maturidade das pessoas. Hoje, vou inspirado pessoas com palestras.

BEC: Recuando um pouco, como foi a sua chegada à selecção angolana?

JM: Quanto à minha pessagem por angola, nossa eu lembro de tudo! A minha passagem começa em 2001, quando eu jogava na equipa União Agrícola Barbarense, e eu fiz um golo contra o Palmeira FC. Neste dia eu estava com uma camisola escrita “valeu angola”, e a Tv Globo transmitiu o jogo, e o professor Mário Calado viu o jogo, e daí me convocou. O meu primeiro jogo pela selecção de Angola foi contra os Camarões, para as eliminatórias da Copa do Mundo 2002, e esse jogo foi no Estádio da Cidadela, e ganhamos por (2-0). Foi uma estreia de sonho.

BEC: Quais foram as tuas referências quando chegou à selecção angolana, já que saiu de Angola muito cedo, aos 8 anos de idade?

JM: Eu conheci, naquela altura, os meus ídolos, e hoje são meus amigos. Jogadores como: Akwá, o falecido Quinzinho, Paulão, Neto e Paulo Silva, sem falar dos grandes amigos que fiz; o Flávio, Gilberto, Yamba Asha, Neto, Maurito, Renato e o Stopirá. Para mim, representava um grande sonho depois de ter ficado 14 anos sem ter ido para angola. E ter voltado como jogador foi um momento único para mim. É uma grande história para mim, num momento de guerra civil.

BEC: E, como foi a sua chegada ao Girabola, por intermédio do Recreativo do Libolo?

JM: A minha passagem pelo Libolo surge quando eu estava na China, e lá fui o melhor marcador do campeonato em 2008, e o técnico do Libolo, que era o Luís Mariano, por sinal brasileiro, entrou em contacto comigo e eu falei com alguns colegas da selecção, como o Lebo Lebo e o Figueiredo, que já estava no Libolo, e falaram-me do projecto do Libolo, era interessante. E depois eu sabia que no ano a seguir angola seria a sede do CAN e eu queria jogar o CAN-2010. Vim para o Libolo e no mesmo ano fomos vice-campeõs do Girabola, e acabei por ser o único atleta do Libolo a ser convocado para o CAN. Foi muito bom ter vivido o dia a dia de Angola.

BEC: De lá para cá, como vê o estado actual do futebol angolano?

JM: Eu não acompanho muito o futebol angolano, porque aqui nós não temos transmissão do campeonato angolano, por isso, eu não posso falar com propriedade. Mas eu acompanhei a vinda da selecção Sub 17 para o Mundial e daí eu percebi que havia uma selecção muito forte que iria se refletir na selecção AA. Tem o Zito Luvumbo, que foi para europa, Capita, Domingos, Maestro, o Cambila o Zini, que eu assumo que sou fã, é um grande jogador que actua pelo 1º de Agosto. A Federação precisa fazer um bom trabalho para unir esses jogadores.

BEC: No seu entender, qual é a receita para angola ter jogadores nas principais equipas do Brasil?

JM: Eu tenho a receita, e quase que ela foi aplicada recentemente. O Grémio queria muito o Zine Salvador, e me procurou para trazermos o Zine para aqui. Mas as negociações não foram adiante, porque o 1º de Agosto não teve interesse em negociar o jogador. Eu tenho contacto aqui no Brasil com vários clubes, e seria bom se viessem para cá e daqui fossem para os clubes. Porque é difícil um clube europeu chegar a angola, levar um miúdo e chegar a jogar logo de cara neste time. Então, eu acho bom, eles vir para o Brasil. Todos os anos as principais equipas vendem para a europa. O Grémio nos últimos anos sempre vende jogadores para a europa. O Pepe que está no Porto saiu do Grémio. O Cebolinha do Benfica também foi vendido pelo Grémio. E o caminho seria o mesmo com o Zine Salvador. De certeza que ele iria jogar na europa se viesse para o Brasil. Estou à disposição do 1º de Agosto para fazer essa parceria com clubes europeus. E a venda do Brasil para a europa é muito mais forte do que da África para a europa.

Marcos Olgário

Marcos Olgário

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